domingo, 13 de dezembro de 2009

i'm not your toy

porquê?

é a pergunta que eu mais tenho vindo a fazer nos últimos tempos. porquê?

estamos a tirar um curso de merda, para depois ter um emprego de merda. ganhar a porcaria de um ordenado de merda, para o gastar em poupanças para fazer uma casa de merda e comprar um carro de merda, pra depois morrermos na merda, e deixar tudo.

sim. gasta-lo em poupanças.
gasta-lo em poupanças.
porquê? para quê o esforço então?

falei com uma amiga minha no outro dia que me disse.

- a vida é assim. a vida é isso. não podes atingir a imortalidade.

eu sei que isto é muito derivado do facto de eu não saber o que fazer da vida neste momento. quer dizer, realizador eu sei que gostava de ser, já estive mais longe é certo, mas no momento estou com sérias dúvidas se conseguirei chegar mais perto.

expectativas e padrões demasiado elevados.
e falta de talento.

eu tenho de confessar que por muito que me deixe triste, talento não é algo que abunde. eu pessoalmente não considero que tenha talento para a vídeoarte em geral, a realização em específico, ou até qualquer outro tipo de arte. não me sinto inspirado. e então pergunto-me.

em primeiro lugar, porque raio vim eu tirar um curso superior para ter uma profissão nas artes, se não tenho sequer jeito para as artes? porque, embora o curso seja técnico, nada do que nele é técnico me interessa, sinceramente. não queria ver as minhas perspectivas de vida resumidas a operar câmaras em canais de televisão locais. e nem para isso eu tenho jeito.

sinto fata de algo grande, algo que me ocupe o tempo, algo que me dê prazer fazer.

algo que não seja produzir programas de televisão deprimentes, sobre temas deprimentes. que me façam fazer reportagens sem o menor interesse para colocar num alinhamento que sou obrigado a fazer. num trabalho que sou obrigado a fazer. que não coloco o mínimo de paixão, o mínimo de gosto, o mínimo de mim. porque não quero. porque me recuso. porque não gosto.

porque não gosto.

mas no fundo ainda me sinto aliviado porque, afinal, é apenas por agora. e voltando ao tema inicial, a vida, a vida também é apenas por agora.

(rasguei as calças do pijama)

continuando. se afinal, nada disto me dá prazer fazer e, por outro lado, chega a ser desmoralizante, para não dizer penoso, então porque raio estou a perder o meu tempo com coisas... de merda?

para comprar uma casa, um carro, e comer, e isso.

deixa-me mesmo triste que as pessoas estejam conformadas de que a vida é isso. é inexplicável, mas eu, eu não vejo sentido nenhum nisso.

não faz sentido, sequer.

- tem de haver algo mais - disse-lhe.

2 comentários:

  1. Há anos que tenho as mesmas dúvidas.
    E infelizmente parece que optarmos pelo conformismo é mesmo o caminho mais fácil. Eu simplesmente optei por não pensar demasiado no assunto, porque sei que ainda não tenho capacidade para lhe dar uma solução. Não quero, de maneira nenhuma, deixar-me ficar nesse circo. Mas também não me quero perder nessas questões existenciais, não quero. Não posso e se a vida não for só uma. Só nos lembramos de uma. Por isso recuso-me a ficar triste. Devias fazer o mesmo.

    P.s.: Acho que o segredo está deitarmos sempre um olho ao cavalo e outro ao cavaleiro.

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  2. estamos basicamente a tentar disfarçar o tédio que é a espera pela morte,
    com actividades que somos ensinados a dar importância devido ao esforço necessário para as concretizar. Mais uma tentativa para dar significado e importância ás actividade de mais um ponto preto numa tv a mostrar static, pequeno, e pouca duração e nenhuma significância ^^.

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